A neuropsicologia cognitiva estuda o modo como alterações ao nível do cérebro (traumáticas ou de desenvolvimento) poderão modificar o comportamento e as capacidades cognitivas (e.g., memória, linguagem oral e escrita, cálculo, atenção, capacidades viso-espaciais, funções executivas, planeamento estratégico, destreza manual, raciocínio abstrato, etc.).
O serviço de neuropsicologia cognitiva realiza avaliação ou reabilitação cognitiva com adultos e crianças. Através de baterias de testes e provas procura-se descrever de modo completo o funcionamento cognitivo.
Tipicamente são necessárias 3 ou 4 sessões para se realizar uma avaliação neuropsicológica completa com entrega de relatório detalhado. Nestas sessões será realizada a anamnese e a aplicação de testes e provas psicológicas e neuropsicológicas. A entrega de relatório poderá ser realizada em consulta, com explicação detalhada do desempenho nos diferentes testes, ou o relatório poderá ser recolhido na receção.
No dia da consulta deverá vir descansado, bem alimentado, deverá evitar esforço físico intenso ou o consumo de bebidas alcoólicas nas horas anteriores à consulta.
As Dificuldades de Aprendizagem Específicas (DAE) consistem em dificuldades em aprender e usar as capacidades académicas como a leitura, a escrita e o cálculo.
As DAE são a causa mais comum de insucesso escolar e resultam de um défice específico na capacidade do cérebro para receber, processar ou comunicar informação. Estas dificuldades não deverão resultar de falta de prática, do método de ensino utilizado, ansiedade e depressão, perturbações comportamentais ou serem devido a défices percetivos periféricos (visão ou audição).
O sinal mais significativo de uma DAE é uma diferença significativa entre as expetativas depositadas no desempenho escolar da criança (tendo em conta o seu funcionamento intelectual, a adequação comportamental, familiar e o bem-estar emocional) e o desempenho escolar efetivo dessa criança. A criança com DAE mostra um adequado nível de raciocínio e de capacidade de compreensão das tarefas e matérias mas falha nas aprendizagens e, especialmente, na avaliação escolar.
É no entanto importante distinguir entre dificuldades de aprendizagem gerais, como por exemplo decorrente de atraso no desenvolvimento cognitivo, ou perturbação do espectro do autismo, e Dificuldades de Aprendizagem Específicas (DAE).
O Défice de Atenção (dificuldades na orientação, manutenção e divisão do foco atencional, impulsividade, dificuldades no planeamento), com ou sem hiperatividade, encontra-se também frequentemente presente em conjunto com DAE.
As DAE são permanentes e a criança necessita de um acompanhamento de reabilitação, sendo frequente e igualmente necessário tomar medidas de apoio e adequação no meio escolar, de modo a minimizar o impacte das dificuldades sobre o percurso escolar da criança.
É importante reforçar a ideia que as DAE são independentes do nível de funcionamento intelectual da criança; o seu melhor indicador é o desfasamento entre a sua capacidade intelectual estimada e o seu desempenho escolar.
Para a avaliação é necessário recolher informação em entrevista com os pais, com os professores, observar a criança e aplicar testes estandardizados de desempenho cognitivo.
A deteção precoce permite estabelecer intervenções dirigidas às dificuldades da criança, melhorando significativamente o seu desempenho e diminuindo a frustração académica.
A dislexia é uma dificuldade de aprendizagem específica em que a aprendizagem da leitura está significativamente perturbada. Esta perturbação é independente da capacidade intelectual geral, mantendo a criança adequadas capacidades de raciocínio e compreensão. As dificuldades na leitura e na escrita exibidas pela criança não poderão ser explicadas por défices auditivos ou visuais.
Uma criança disléxica tem muitas dificuldades na escola, lendo muito lentamente e com erros e produzindo também muitos erros na escrita. Têm dificuldades na interpretação de textos e fraca capacidade de escrita. O aproveitamento escolar é muito inferior ao esperado tendo em conta a sua capacidade intelectual. Estas crianças desinvestem do trabalho escolar, quer em casa como na escola, sendo frequentemente rotuladas de preguiçosas ou desatentas.
Um diagnóstico precoce permite uma remediação/reabilitação mais rápida e significativa das capacidades de leitura e de escrita. Permite também à criança perceber a origem da sua dificuldade, promovendo um aumento da autoestima e do empenho no trabalho escolar. Na escola, após o diagnóstico, deverá ser providenciado um acompanhamento diferenciado tendo em conta as suas dificuldades e procurando promover as suas capacidades linguísticas.
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